Cabe à Comunidade Internacional ajudar o Haiti a se desenvolver pós-terremoto
Brasil tem obrigação de capitanear ajuda para o vizinho latino-americano se refazer e planejar avanço consistente nas áreas econômica e social
A ajuda humanitária internacional anunciada por diversos países e órgão globais para o Haiti somam US$ 144,6 milhões até agora. Todo e qualquer suporte – incluindo mantimentos, remédios e roupas, é importantíssimo para aplacar os efeitos da tragédia que se abateu sobre a pequena nação da América Central, após o terremoto de 7 graus na escala Richter que abalou o país ontem.
O momento, entretanto, é propício para discutir uma ajuda de longo prazo para a reconstrução do Haiti, que não pode depender de ajudas extemporâneas atreladas a catástrofes naturais. Vale lembrar que em abril do ano passado, a comunidade internacional anunciou o envio de US$ 345 milhões para auxiliar o país a se recompor das tempestades tropicais que o destroçaram em 2008. Outros US$ 50 milhões foram cedidos pelos Estados Unidos para o combate ao tráfico de drogas, reestruturação da infraestrutura e suporte alimentar – o montante incluía US$ 20 milhões no formato de perdão da dívida externa. Mas sobre o uso efetivo dos recursos e sua entrega real não se tem muita notícia.
Agora, o essencial é perdoar toda a dívida externa haitiana de US$ 1,25 bilhão – conforme relatório da CIA World Factbook. O valor é minúsculo perto dos bilhões de empresas como CSN, Petrobras, Vale (do Rio Doce) e etc, mas é imenso para a economia do país mais pobre da América Latina.
Papel do Brasil
Na sequência do cancelamento da dívida, o importante é elaborar um plano de desenvolvimento econômico e social consistente. O Brasil está mais talhado para auxiliar os haitianos na tarefa, visto que está presente lá desde 2004, quando assumiu o comando da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah).
Há massa crítica nas Forças Armadas brasileiras para isso. E talvez o ponta pé inicial possa ser um efetivo planejamento para tornar o país em um produtor de etanol em larga escala, com cotas de exportação garantidas em mercados consumidores como o estadunidense e o brasileiro.
É evidente que um país precisa de uma avaliação técnica feita por pessoal especializado – o que não é meu caso. Mas neste momento o tema precisa vir à tona, mesmo que em sugestões simplórias, enquanto o mundo olha para esta pequena nação caribenha.